O início da gestação é marcado por intensas transformações fisiológicas e metabólicas no organismo da mãe. E, com elas, surgem necessidades nutricionais.
Nas primeiras semanas, começa a divisão celular, que dá formação ao tubo neural e início da organogênese, processos que envolvem a participação de nutrientes em níveis adequados¹.
Por isso, os chamados micronutrientes — as vitaminas e minerais requeridos em pequenas quantidades — cumprem um papel importante na manutenção de funções fisiológicas maternas e em processos relacionados ao desenvolvimento embrionário¹,².
Aliás, atenção nutricional precoce integra as recomendações técnicas oficiais do pré-natal no Brasil, sendo considerada componente importante da assistência à gestante².
Os micronutrientes e seu papel no desenvolvimento embrionário

(Desenvolvimento embrionário)
Durante o primeiro trimestre, a síntese de DNA, a diferenciação celular e a formação de estruturas primárias do feto dependem da participação de vitaminas e minerais para o funcionamento adequado de enzimas envolvidas nesses processos¹.
Então, a inadequação dos níveis desses nutrientes pode afetar o funcionamento de processos fisiológicos. E essa é a razão que coloca a avaliação nutricional na rotina do acompanhamento pré-natal².
Segundo as diretrizes nacionais, o cuidado pré-natal deve incluir investigação do estado nutricional, orientação alimentar individualizada e, quando previsto pelo médico da paciente, uma suplementação específica².
Ácido fólico (Vitamina B9)
O ácido fólico participa da formação de ácidos nucleicos e da multiplicação celular¹. Ele é particularmente importante nas primeiras semanas de gestação, período crítico para a formação do tubo neural.
As diretrizes brasileiras recomendam que os médicos contemplem a suplementação de ácido fólico no período periconcepcional (de 1 a 3 meses antes da concepção até as primeiras 6 a 10 semanas de gestação) e no início da gestação como estratégia associada à redução do risco de defeitos do tubo neural¹,².
Portanto, é uma recomendação que integra a política pública de saúde e está incorporada às rotinas médicas de atenção pré-natal no país².
Ferro e aumento das demandas fisiológicas
Além das vitaminas, minerais como o ferro também fazem parte da avaliação nutricional realizada durante o pré-natal².
O acompanhamento profissional permite avaliar possíveis necessidades nutricionais de forma individualizada, conforme os protocolos assistenciais e as condições clínicas de cada gestante².
Vitaminas do complexo B e vitamina B12
As vitaminas do complexo B participam de diferentes reações metabólicas, incluindo processos relacionados à produção de energia e à formação celular¹.
A vitamina B12 auxilia na formação de células vermelhas do sangue, no metabolismo energético, no metabolismo da homocisteína e no funcionamento do sistema nervoso¹.
Então, a adequação dessas vitaminas é considerada importante para o funcionamento fisiológico normal durante a gestação¹.
E será a avaliação realizada no pré-natal que permitirá identificar as situações de maior vulnerabilidade nutricional².
Vitamina D e cálcio no metabolismo ósseo
A vitamina D auxilia na absorção de cálcio e fósforo, no funcionamento muscular e na manutenção de níveis de cálcio no sangue¹.
As orientações brasileiras de pré-natal incluem a avaliação da ingestão alimentar desses nutrientes pelo médico, dada a sua importância no equilíbrio metabólico durante a gestação².
No entanto, a decisão sobre suplementação deve ser individualizada conforme critérios clínicos estabelecidos na assistência².
Vitamina C e absorção de ferro
A vitamina C é um antioxidante que auxilia na proteção dos danos causados pelos radicais livres¹.
Além disso, a vitamina C auxilia na absorção de ferro dos alimentos e auxilia no funcionamento do sistema imune¹.
As recomendações nutricionais brasileiras para o pré-natal reforçam a importância de uma dieta variada e equilibrada como base da adequação de micronutrientes².
Alimentação equilibrada é o principal fundamento do cuidado na gestação

(Alimentação equilibrada na gestação)
O Ministério da Saúde destaca oficialmente que promover a alimentação saudável é um pilar da atenção ao pré-natal². A orientação alimentar deve contemplar variedade, qualidade e adequação às necessidades individuais de cada gestante².
E a suplementação de micronutrientes, como mencionamos anteriormente, ocorre apenas quando indicada nos protocolos assistenciais ou recomendação médica, não substituindo a alimentação equilibrada². O acompanhamento profissional permite monitorar o ganho de peso gestacional, avaliar riscos nutricionais e ajustar condutas quando necessário².
Os micronutrientes exercem funções fisiológicas importantes no início da gestação. Conforme mencionado anteriormente, o ácido fólico, vitaminas do complexo B, vitamina D, vitamina C, vitamina E, zinco, selênio e ômega-3 participam de processos metabólicos e estruturais relacionados ao desenvolvimento embrionário¹,².
Portanto, a identificação precoce de possíveis inadequações nutricionais e a adoção de medidas previstas nas diretrizes nacionais de pré-natal podem contribuir para melhores condições de saúde materna e fetal².
REFERÊNCIA
1. EL BEITUNE, P. E.; JIMÉNEZ, M. F.; SALCEDO, M. M. B. P.; AYUB, A. C. K.; CAVALLI, R. C.; DUARTE, G. Nutrição durante a gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2018. Disponível em: https://sogirgs.org.br/area-do-associado/nutricao-durante-a-gravidez.pdf
2. BRASIL. Atenção ao pré-natal de baixo risco: Caderno de Atenção Básica 32. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Secretaria de Atenção à Saúde; Departamento de Atenção Básica, 2012. 318 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf